Dificuldades no Desenvolvimento das ações de Educação Permanente em Saúde para os Técnicos e Auxiliares de Saúde Bucal na Atenção Básica

  • Júlia Saraiva de Almeida Barbosa UFES
  • Carolina Dutra Degli Esposti
  • Lygia Rostoldo Macedo
  • Lorena Ferreira
  • Wagner Scherrer Lemgruber Goulart
  • Karina Tonini dos Santos Pacheco
  • Edson Theodoro dos Santos Neto
Palavras-chave: Educação Continuada, Atenção Primária à Saúde, Prática Profissional, Odontologia

Resumo

Introdução. A Educação Permanente em Saúde (EPS) é uma proposta ético-político-pedagógica que tem o objetivo de transformar e qualificar a atenção à saúde, os processos formativos, as práticas de educação em saúde, além de incentivar a organização das ações e dos serviços numa perspectiva intersetorial. A transformação das práticas profissionais e da organização do trabalho deve estar baseada na reflexão crítica sobre o cotidiano do serviço e de acordo com as necessidades de saúde das pessoas. No que se refere ao trabalho em saúde bucal, existem dificuldades inerentes à própria trajetória da profissão odontológica, que foi caracterizada por ações isoladas, individuais e privatistas. O objetivo deste trabalho foi analisar as dificuldades no desenvolvimento das ações de EPS para as Equipes de Saúde Bucal na Atenção Básica, especificamente para os Técnicos e Auxiliares de Saúde Bucal (TSB/ASB).

Métodos. Pesquisa qualitativa, por meio de um grupo focal com os TSB/ASB que trabalharam na Atenção Básica na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), entre os anos de 2007 e 2012. O roteiro utilizado versou sobre a participação do TSB/ASB e da equipe de saúde bucal nos espaços destinados a ações de EPS; como que a qualificação acontecia na unidade de saúde, a existência de ambiente favorável para sua realização e sua influência no processo de trabalho na saúde bucal; e sobre os fatores que facilitavam e/ou atrapalhavam a execução da EPS no cotidiano dos serviços de saúde. Foi realizada uma análise de conteúdo temática, segundo Bardin.

Resultados. A análise permitiu identificar a existência de exaustão no processo de trabalho e falta de estímulo para o aprendizado. Segundo os TSB/ASB, os cursos e ações oferecidos pelas prefeituras ou pelo estado eram escassos. Além disso, nem sempre existia vontade por parte dos mesmos em participar das ações. Foi relatada a influência da gestão e da interação da equipe para a motivação e a participação nas ações de EPS.

Conclusão. Considera-se que as barreiras identificadas para implementação da EPS poderiam ser superadas pela articulação entre profissionais, gestão e instituições de ensino, identificando-se o papel de cada um nos processos de ensino-aprendizagem.

Publicado
2017-10-02