Amnésia global transitória

relato de caso

  • Ana Rosa Murad Szpilman Universidade Vila Velha
  • Sarha Santos Andrade
  • Lucas Pereira de Sá
Palavras-chave: Amnésia, amnésia retrógrada, Amnésia Global Transitória

Resumo

Introdução: A Amnésia Global Transitória (AGT) refere-se a um quadro agudo e transitório de amnésia retrógrada, atingindo de maneira mais acentuada as lembranças recentes do que as recordações remotas. Consiste na ocorrência de perda da memória e da orientação temporal e/ou espacial, de caráter temporário. De maneira geral, os pacientes possuem consciência da amnésia e são capazes de realizar ações físicas e mentais de alta complexidade durante o período de vigência normal da AGT, isto é, entre 6 a 24 horas. Os principais fatores de risco relacionados são idade (maior que 50 anos), hipertensão arterial sistêmica, estresse ou esforço físico antes do evento, além de história de cefaleia.

Apresentação do caso: Paciente, 51 anos, sexo feminino, com queixa de perda de memória e desorientação espacial. No dia do episódio, paciente realizou atividades cotidianas no trabalho e prosseguiu sua rotina ao ir para natação, quando se iniciou os sintomas referidos. Durante primeiro atendimento encontrava-se cooperativa, sem alterações sensitivo-motoras, porém não se lembrava de fatos recentes e apresentava discurso repetitivo. Apresentava história de cirurgia bariátrica e nega trauma. A mesma foi submetida a exames de imagem que não evidenciaram alterações morfológicas ou evidências de lesão isquêmica aguda. Dosagem de vitamina B12 apresentou níveis baixos. Nenhum sintoma ou sinal residual foi percebido pelos familiares ou pelo paciente, que retomou as suas atividades sociais e laborais sem qualquer prejuízo.

Conclusão: A AGT é uma síndrome neuropsicológica transitória de etiologias múltiplas e de diagnóstico exclusivamente clínico. Portanto, torna-se fundamental colher uma boa história clínica para identificação dos fatores de risco, bem como delinear as possibilidades de diagnóstico diferencial, tais como: eventos cerebrovasculares, crises epilépticas, traumatismo cranioencefálico, intoxicação por drogas, transtornos psiquiátricos e causas metabólicas. Apesar de a fisiopatologia não ser totalmente elucidada, sabe-se que o prognóstico é benigno, sem correlação com risco de ataque isquêmico transitório ou deterioração progressiva da memória e outras funções cognitivas. Apesar de não deixar déficits, provoca grande preocupação para o paciente, familiares e amigos. Dessa forma, fazer diagnóstico precoce, garantir a integralidade, manter o acompanhamento adequado pela equipe de saúde, assim como esclarecer potenciais dúvidas significa investir na melhoria da qualidade biopsicossocial dos indivíduos.

Publicado
2017-10-02