Relato da experiência de um estudante e sua orientação para APS/MFC

potencialidades da formação curricular e extra-curricular

  • Gabriela de Lima Carlesso Universidade Vila Velha
  • Leonardo Ferreira Fontenelle Universidade Vila Velha http://orcid.org/0000-0003-4064-433X
  • Diego José Brandão Universidade Vila Velha
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde, Educação de Graduação em Medicina, Medicina de Família e Comunidade

Resumo

Introdução: O ensino médico vem sofrendo transformações e orientando o enfoque da formação para a Atenção Primária à Saúde (APS), principal cenário de prática da Medicina de Família e Comunidade (MFC). O potencial transformador da MFC para a graduação em Medicina tem sido evidenciado por organizações como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação Mundial de MFC (WONCA). Nesse contexto, a UVV instituiu a disciplina Programa de Interação Serviço, Ensino e Comunidade (PISEC), realizada nas Unidades de Saúde da Família (USF) de Vila Velha. Do primeiro ao quarto período do curso, o estágio é voltado para o estudo do território e grupos sociais, e do quinto ao oitavo, família e indivíduo. Sendo assim, este relato objetiva demonstrar a importância da formação curricular e extracurricular na orientação de um graduando para o aprendizado da APS/MFC.

Metodologia: Experiência curricular obtida do PISEC na Unidade de Saúde da Família de Ulisses Guimarães em Vila Velha, Espírito Santo, do segundo semestre de 2014 ao primeiro semestre de 2016. Experiência extracurricular na liga de Medicina de Família e Comunidade do Espírito Santo (LIMFACES) entre 2014 a 2016.

Resultados: Foi nítida a minha mudança na percepção acerca da APS/MFC. Antes até um pouco desacreditada em relação ao seu potencial de manejo de problemas, promoção e prevenção de saúde, hoje sou uma entusiasta. Observei mudanças no meu atendimento prestado aos pacientes e entendimento de sua inserção no contexto familiar e individual, no quinto ao oitavo períodos do PISEC e aquisição de conhecimento sobre os princípios da Medicina de Família e Comunidade (MFC) na LIMFACES. Mudanças no sentido de entender o doente como um todo, não olhar apenas para a doença, entender que se trata de um indivíduo com suas particularidades (psíquicas, culturais, econômicas, sociais, familiares e religiosas) e problemas que extrapolam o âmbito das doenças físicas, bem como obter uma boa relação médico-paciente a fim de conseguir com que o doente se envolva e se comprometa mais com o próprio tratamento. 

Conclusão: É necessário ao curso de medicina realizar esta inserção curricular progressiva dos conhecimentos sobre a Atenção Primária a Saúde, visando formar profissionais capacitados a atuar na APS e com uma visão mais abrangente do cuidado, promoção e prevenção em saúde. Além disso, a formação extracurricular possibilita uma aproximação com a MFC e, com isso, potencializar o aspecto transformador que especialidade médica possui na graduação.

Biografia do Autor

Gabriela de Lima Carlesso, Universidade Vila Velha

Acadêmica de Medicina da Universidade Vila Velha (UVV).

Leonardo Ferreira Fontenelle, Universidade Vila Velha

Médico de família e comunidade; professor do Curso de Medicina da UVV; analista legislativo em saúde na Câmara Municipal de Vitória; doutorando em epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel); assistente editorial e revisor “ad hoc” da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC); membro da diretoria da Associação Capixaba de Medicina de Família Comunidade (ACMFC).

Diego José Brandão, Universidade Vila Velha

Médico de família e comunidade, professor do Curso de Medicina da UVV; coordenador do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UVV; doutorando em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP).

Publicado
2017-10-01