Uso de medicamentos e utilização de serviços de saúde em idosos octagenários, Vitória-ES, 2017

  • Olivia Ferreira Lucena Universidade Federal do Espírito Santo
  • Barbara Almenara Gonçalves Universidade Federal do Espírito Santo
  • Thiago Dias Sarti Universidade Federal do Espírito Santo
Palavras-chave: Assistência Integral à Saúde, Polimedicação, Uso Excessivo dos Serviços de Saúde

Resumo

Introdução: Devido ao envelhecimento da população brasileira e ao aumento da prevalência de doenças crônico-degenerativas, é necessária criteriosa abordagem no tratamento em idosos para evitar prescrição de medicamentos desnecessários e, assim, evitar iatrogenia e colocar em prática a prevenção quaternária.

Objetivo: Descrever a prevalência de polifarmácia e o perfil de utilização de serviços de saúde em idosos octagenários cadastrados em duas equipes de saúde de duas Unidades de Saúde da Família de Vitória/ES.

Método: Realizou-se um estudo observacional descritivo transversal com idosos de 80 a 89 anos, de ambos os sexos, cadastrados nas equipes de saúde com inserção de médicas residentes em MFC nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com Estratégia de Saúde da Família (ESF) de Consolação e Maruípe -Vitória/ES. Os dados foram coletados do prontuário eletrônico do municípi e as variáveis são: número e tipo de medicações utilizadas, comorbidades, número de consultas e internações realizadas no último ano (abril de 2016 e março de 2017), adesão a plano de saúde e acompanhamento com especialista focal. Polifarmácia foi definida como uso de 5 ou mais medicamentos e hiperutilizadores foram definidos como acesso a 7 ou mais consultas médicas no ano. A análise consistiu de estatística descritiva simples com o suporte do pacote SPSS 20.0.

Resultados: Nas duas equipes de saúde, estão cadastrados 194 idosos octagenários. Contudo, foram mantidos na análise 120 idosos cujos dados estavam completos. A prevalência de polifarmácia foi de 56,7%. Em um estudo nacional esta prevalência em idosos acima de 80 anos foi de 20%. 88% utilizam o SUS exclusivamente e apenas uma minoria (11,7%) possui plano de saúde. 94,2% não apresentaram internações no último ano e 45% consultou-se com especialistas fora da UBS pelo menos uma vez no ano. A percentagem de hipertulizadores entre os octagenários estudados é de 7,5%. Quanto à distribuição das comorbidades, tem-se: Hipertensão Arterial Sistêmica (83,3%); Diabetes melito (21,7%); Dislipidemia (21,7%); Hipotireoidismo (18,3%); Alzheimer (10,8%); Transtorno do sono (10,8%); e Depressão (8,3%).

Conclusão: A prevalência de polifarmácia e hiperutilização da USF entre octagenários foi elevada. Esse estudo evidencia a importância de abordagem centrada na pessoa de forma a promover o uso racional de medicamentos e o uso adequado dos serviços de saúde, tendo como meta a prevenção de intervenções excessivas e desnecessárias e consequências iatrogênicas.

Publicado
2017-10-01