Os Limites do Cuidado das Enfermidades Crônicas na Saúde da Família

  • Thiago Dias Sarti Universidade Federal do Espírito Santo
Palavras-chave: Estratégia Saúde da Família, Diabetes Mellitus Tipo 2, Assistência à Saúde, Prática Profissional, Qualidade de Vida

Resumo

Introdução: A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é o principal modelo de organização da Atenção Básica no Brasil. Um desafio para sua qualificação é criar maiores oportunidades de ampliação das ações de saúde e criação de vínculo. Propõe-se analisar as formas como são construídas cotidianamente as relações entre a ESF e pessoas com enfermidades crônicas.

Métodos: Trata-se de um estudo de caso de cunho etnográfico envolvendo as práticas das equipes de saúde e o cotidiano de usuários que receberam diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM). O cenário do estudo é uma USF localizada em um grande município do ES. O presente relato se utiliza dos diários de campo produzidos durante um ano de observação do cotidiano do serviço e de uma pessoa acompanhada por uma das equipes de saúde.

Resultados: As equipes acompanhadas organizam seus processos de trabalho com base na programação e vigilância em saúde. No que se refere ao acompanhamento de pessoas com diagnóstico de DM, o foco está na adesão à prescrição, que será monitorada forma simplificada. Outros aspectos da vida não surgem como dispositivos de orientação da clínica e do cuidado. O acompanhamento do cotidiano de uma pessoa com diabetes mellitus tipo 2 com múltiplas complicações da doença mostrou que as ações programáticas pouco incidiam sobre as questões que a cada momento interferiam diretamente na qualidade de vida, como por exemplo crises familiares e financeiras, dificuldades singulares de adesão ao tratamento medicamentos e dialítico, enfrentamento do medo de morrer precocemente e a sensação de perda de autonomia e de ruptura biográfica.

Conclusão: Em síntese, os processos de trabalho da ESF transitam entre ações programáticas e burocráticas e processos dialógicos ampliados de cuidado, mas que conversam pouco com os desafios cotidianos da vida das pessoas com condição crônica, reduzindo a potência do cuidado em produzir autonomia e vida.

Publicado
2017-10-01